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sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Altas seguidas da gasolina tiram sono da classe média que economiza no que pode

Com aumentos muito acima da inflação, os combustíveis deprimem o poder do natalense de gastar com qualquer supérfluo e até com o que é necessário

José Aldenir/ Agora Imagens

Igor, gerente de vendas, tem mulher, três filhos – dois em idade escolar – e mora com os pais no mesmo apartamento de três quartos. O que pouca gente sabe é que esse profissional liberal de 42 anos tem outra família, escondida na acanhada garagem no prédio sobre pilotis na zona Oeste da cidade.

Um sedan branco, 2.0, 2013, com quase 100 mil km rodados, adquirido de segunda mão, pelo qual ele ainda paga um financiamento de cinco anos feito na época em que era barato comprar um bem pelo sistema financeiro.

Hoje, esse “agregado” da família, que nunca reclama, mas já deixa as primeiras manchas de óleo no chão, vem tirando gradativamente as regalias da família toda vez que o preço do barril sobe no mercado internacional.

Esse é o gatilho que a Petrobras usa para aumentar ou diminuir o valor dos combustíveis – mais aumentar do que diminuir.

“Hoje, a gente não vai mais a restaurante, cortei o pacote da tevê a cabo, viagens aqui mesmo pelo interior e vou tirar os meninos da escola particular”, assegura o motorista.

Em média, Igor percorre 90 km todos os dias da casa para o trabalho, evitando fugir das rotas habituais, que incluem pegar as crianças que estudam na mesma escola. No aplicativo do celular ele dedilha uma conta simples: “Se são 90 km/dia, 2.700 km por mês, dividindo pelo consumo de 9 km por litro, dá por volta de R$ 1.300,00” – fecha a conta.

A agente de viagens Jessica e o marido tem dois carros e se revezam para levar os três filhos para a escola. Quem demanda mais é o caçula de 10 anos que dependente do carro para tudo, já que os outros dois – universitários – recebem apenas uma carona por dia para ir ao campos. Mesmo assim, frequentemente, voltam no carro do pai, já que a mãe sempre deixa e o companheiro, busca.

Como o carro do pai é a diesel e o da mãe a gasolina, os gastos maiores ficam com ela. Os dois, juntos, gastam pouco mais de R$ 1.800,00 por mês. E embora não abram mão do Plano de Saúde e nem da escola particular do filho menor – já que os outros dois já estudam na Federal -, ela diz que os cortes em supérfluos desde o ano passado são absolutos.

“Não há mais nada que eu deseja que possa comprar”, diz ela, incluindo vestidos, sapatos e tudo o mais que não esteja no topo da lista de prioridades, como comida e entretenimento básico propiciado pelo wifi que é de lei para a família. “Sem isso, pode apostar, é confusão!”

Até a semana passada, o preço médio da gasolina para o consumidor final subiu pela 11ª semana seguida e chegou a R$ 4,183, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).