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quarta-feira, 14 de março de 2018

Quem são as carochas? E por que elas são tão temidas pelas pessoas?


Os sertanejos nordestinos aguardam ansiosamente a chegada das chuvas. E quando elas surgem são recebidas com muita euforia e esperança para melhorar a vida nos áridos sertões. Entretanto, o início dessa estação também atrai visitantes não muito bem vindas, são as carochas. Nos anos chuvosos as cidades dos sertões nordestinos são infestadas por esses insetos indesejáveis.


As carochas pertencem a Ordem Coleoptera (besouros) e a Família Carabidae (que quer dizer besouros com cara ou que possuem a cabeça proeminente). Trata-se de uma família de distribuição cosmopolita, ou seja, ocorrem no mundo todo. O registro fóssil desse grupo data aproximadamente 37,2 milhões de anos atrás.

A ciência já descreveu 167 espécies de carochas até agora. E dessas, pelo menos três já foram registradas no Brasil. A principal espécie que ocorre no nordeste é conhecida na Entomologia (ciência que estuda os insetos) como Calosoma granulatum. A maioria dos registros têm demonstrado os hábitos desses besouros como hábeis corredores em nível de solo, bem como ativos caçadores de lagartas (Parra et al. 2002).

A espécie Calosoma granulatum tem importância agrícola, pois são predadoras naturais de lagartas em plantações, especialmente na cultura da soja (Parra et al. 2002). É uma espécie bastante ativa para correr e capturar lagartas no solo ou subir em arbustos e árvores para caçar e se alimentar, principalmente durante a noite. Então, no campo da agricultura, são considerados insetos benéficos, já que ajudam no controle biológico natural das pragas (Embrapa 2003). Dessa forma, contribuem sensivelmente para o controle populacional de outros insetos no que a Ecologia (ciência que estuda as relações entre organismos com o meio ambiente) chama de cadeia alimentar.

As carochas da espécie Calosoma granulatum possuem a parte dorsal da cabeça e do tórax na coloração verde metálica e os élitros (asas tipo carapaças) com estrias longitudinais e de cor violácea, adornados com manchas douradas e extremidades laterais em verde metálico. A parte ventral do animal é de cor escura. As antenas são longas e as pernas ambulatórias (adaptadas para andar e correr). O ciclo desse inseto é do tipo holometabólico (metamorfose completa) passando pelos estágios de ovo, larva, pupa (casulo) e adulto. Na fase adulta é possível separar os sexos do macho e da fêmea. As larvas são de coloração escura e também são ativas caçadoras no solo (Figura 3). Os adultos medem aproximadamente 23 mm de comprimento e as larvas 17 mm (Colen 2004).

O ciclo de vida de ovo até adulto se completa em torno de 22 dias, dependendo das condições de temperatura, umidade e disponibilidade de alimentos. As larvas se desenvolvem por um período de 17 dias, depois se enterram no solo a uma profundidade de 8 a 12 cm e então se transformam em pupas (casulos), e nessa fase passam em torno de 7 dias até atingirem a fase adulta (besouros no formato da carocha como é mais conhecido). Os adultos, macho e fêmea, são responsáveis pela reprodução. O ato sexual (cópula) dura em torno de 145 segundos (2 min e 25 seg). Uma fêmea em toda a sua vida pode colocar até 377 ovos, sendo realizado em média entre 8 a 9 vezes durante 43 dias. Elas preferencialmente fazem as posturas durante a noite para evitar que os inimigos naturais ataquem seus ovos (Pegoraro e Foerster 1985; 1988; Colen 2004).

No nordeste os machos e fêmeas entram em hibernação por volta do mês de maio e voltam a serem vistos no ano seguinte por volta de fevereiro e março. 

Os carabídeos (as carochas) também têm relevante importância médica e veterinária. Pois ao se sentirem ameaçados ou perturbados liberam um coquetel de substâncias cáusticas, as quais queimam a pele, e produzem odor bastante desagradável. No nordeste brasileiro essa ação é conhecida como a “mijada” da carocha. O coquetel de substâncias é produzido por um par de glândulas pigidiais (Figuras 3) localizadas próximas a região do ânus. As substâncias contidas nesse composto são hidrocarbonetos, aldeídos, fenóis, quinonas, ésteres e ácidos (Evans, 2014). Tais substâncias são muito conhecidas pela literatura química por causar sérias queimaduras na pele. Além disso, a natureza química e a combinação desses compostos chegam a ser tão fortes que podem provocar manchas em pisos de cimento, cerâmica e pintura de paredes. É bem comum no nordeste ouvir reclamações de donas de casa relatando essas manchas nas residências.

Nos anos bons de inverno e sequenciados foram observadas explosões populacionais de carochas, a ponto de causar muitos desconfortos para as pessoas devido às queimaduras, a sujeira e o mau cheiro nas ruas de muitas cidades do interior do nordeste.

As causas que levam as superpopulações ou booms populacionais desses insetos estão relacionadas ao elevado potencial reprodutivo da espécie. As fêmeas conseguem colocar uma quantidade bastante elevada de ovos e isso é um fator condicionante no processo. Além disso, quando as condições de temperatura e umidade são ótimas, por exemplo, nos anos de invernadas sequenciadas, estas favoreceram positivamente para que ocorresse o crescimento exponencial das gerações a partir de poucos casais de besouros.