Agente penitenciário acredita que porte legal de armas não inibiria criminosos

Para Jadson Queirós, de 24 anos, ação de armar a população não diminuirá a criminalidade, que passará a agir com mais violência por saber que o cidadão pode se defender
José Aldenir/ Agora Imagens Agentes penitenciários tem autorização para utilizar armas fora do serviço

Redação

O Estatuto do Desarmamento, desde que entrou em vigor, em 23 de dezembro de 2003, já permitia que agentes enitenciários tivessem porte de arma de fogo. Essa permição, porém, dava o porte aos servidores apenas durante o trabalho, dentro dos presídios.

A Lei n.º 12.993/2014 permitiu que os agentes portassem armas, sendo particulares ou da própria instituição que servia, fora das penitenciárias, como forma de garantir sua proteção. Mesmo com esse direito, o agente penitenciário Jadson Queirós, de 24 anos, é contra o porte legal de armas no Brasil.

Jadson acredita que “facilitar o porte de armas não irá pôr medo nos bandidos” e que os mesmos “não deixarão de cometer crimes, pelo contrário, suas abordagens serão cada vez mais violentas por saber que o cidadão poderá portar uma arma”, afirma.

Para o servidor público, temos como maior exemplo os Estados Unidos, que possuem o porte de armas liberado. Em fevereiro, um tiroteiro ocorrido em uma escola da Flórida deixou 17 pessoas mortas e fez com que a população fosse as ruas em manifestações, clamando por um controle maior na venda de armas no país.

O agente penitenciário crê que o porte de armas “transmite uma falsa sensação de segurança e, principalmente, valentia que pode refletir em um aumento significativo da violência”. Para ele, “investir em políticas de segurança pública e em educação é nossa maior arma contra o crime”.

“Testes psicológicos mais rigorosos, campanhas educativas orientando o uso da arma, controle rigoroso sobre quem compra e investigações sociais sobre o interessado no porte” são boas soluções para entrarem em pauta nas discussões sobre o Estatuto do Desarmamento na visão de Jadson.

No dia 30 de maio o Agora realiza um evento que irá colocar esse polêmico assunto em debate. O Agora RN em Debate trará especialistas que poderão discutir de forma dinâmica, interativa e inovadora. Bené Barbosa, da ONG Viva Brasil, que defende o direito ao porte legal de armas, e Daniel Cerqueira, técnico do Ipea, que é a favor da manutenção do Estatuto do Desarmamento, discutem o tema “Sociedade armada: conflito ou solução?”.

Outros dez representantes de dez organizações governamentais e não-governamentais estarão presentes para apresentar mais argumentos e enriquecer o debate. No final, os convidados irão votar para decidir quais argumentos apresentados são mais convincentes. O debate acontece no Hotel Holliday Inn, a partir das 8h. Os interessados podem se inscrever através do site www.agorarn.com.br/agoraemdebate.