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quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Quem caiu no rotativo pagou juros mais caros em agosto

História do natalense José, que virou um “mão de vaca” para fugir dos juros exorbitantes do cartão de crédito, mas continua pagando as taxas exorbitantes
José Aldenir / Agora RN Taxa média do rotativo subiu 2,6 % em relação a julho, atingindo meteóricos 274% ao ano

Marcelo Hollanda

José é autônomo de vendas, residente na Zona Norte de Natal, tem uma renda que varia de dois a três salários mínimos. Com o salário da esposa, os dois conseguem pagar as contas do mês e a escola particular do filho, mas dinheiro que é bom não sobra, “nem pra remédio”, como ele costumar brincar.

No passado, por conta de um descontrole no cartão de crédito, José amargou cinco anos sem crédito ou conta em banco. A lição o deixou precavido e seguro com as finanças escassas. “Ele virou um mão de vaca”, resume a esposa.

Mas essa mudança nos hábitos financeiros da família rendeu a José, dias atrás, uma carta de oferta de crédito equivalente ao limite do atual cartão de crédito, que é pouco superior aos R$ 4 mil.

Nessa carta, a financeira oferecia um depósito em sua conta equivalente ao limite do cartão sem qualquer burocracia. As parcelas com os diferentes valores já apareciam discriminados na correspondência.

“Tremi quando vi aquilo”, diz José, como se estivesse passando por uma síndrome de abstinência, aquela reação que dá quando alguém que luta para parar de beber se depara com uma garrafa aberta.

Mas José resistiu à tentação e estava certo.

Os consumidores que caíram no rotativo do cartão pagaram juros mais caros em agosto. A taxa média do rotativo subiu 2,6 % em relação a julho, atingindo meteóricos 274% ao ano.

A explicação para a “carta amiga” de José é até bastante simples.

As regras do cheque especial mudaram em julho. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), os clientes que utilizam mais de 15% do limite do cheque durante 30 dias consecutivos passaram a receber a oferta de um parcelamento, com taxa de juros menores que a do cheque especial definida pela instituição financeira.

Portanto, o que houve com José foi uma delicada proposta de parcelamento em troca do limite de seu cartão para tentar livrá-lo da brutal taxa de juros do crédito rotativo.

No caso de José, que é um consumidor adimplente porque paga pelo menos o valor mínimo da fatura do cartão em dia, a taxa chegou a 250,3% ao ano em agosto, com redução 1,8 ponto percentual em relação a julho.

Já a taxa cobrada dos consumidores que não pagaram ou atrasaram o pagamento mínimo da fatura (rotativo não regular) subiu 6,1 pontos percentuais, indo para 291,3% ao ano.

Em abril, o Conselho Monetário Nacional (CMN) definiu que clientes inadimplentes no rotativo do cartão de crédito passem a pagar a mesma taxa de juros dos consumidores regulares. Essa regra entrou em vigor em junho deste ano.

Mesmo assim, a taxa final cobrada de adimplentes e inadimplentes não será igual porque os bancos podem acrescentar à cobrança os juros pelo atraso e multa.
A taxa de juros do cheque especial ficou estável em agosto comparada a julho em 303,2% ao ano. Assim continua a ser a menor taxa desde março de 2016, quando estava em 300,8% ao ano.

Agora RN